sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Mais terremoto !

Se para quem está no Brasil precisa esperar o Fantástico ou o Globo Repórter para ouvir falar de terremoto, em japonês 地震 (jishin), aqui no Japão o fenômeno natural faz parte do nosso dia-a-dia. Eu sei, eu já fiz um post sobre isso. Se você não leu, é só clicar aqui. Mas é que apesar de eu já ter me acostumado com a idéia de viver em um país com terremotos tão frequentes , ainda me ponho no lugar de um brasileiro de primeira viagem ao me deparar com certas coisas. Ontem mesmo vi no metrô uma bancada de revistas gratuitas sobre imóveis. Na capa, a pergunta era curta e grossa.
"Mesmo que aconteça um terremoto, tudo bem?". Na revista, um especial com dicas do que fazer quando acontecer um terremoto, apartamentos com prédios com estrutura especial e até aparatos de segurança, como um interfone que dá informações sobre o terremoto. Me chamou a atenção a quantidade de revista que ainda sobrava, apesar do grande fluxo de pessoas que passavam por perto. Uma pergunta tão apavorante como essas e ninguém nem aí.......... Claro, ouve-se tanto por aqui. Até entendo.
No sábado passado, eu vi uma loja de artigos infantis. E lá eu vi um chapéu especial para terremoto. Imagina você ir comprar o presente de Natal ou de aniversário para um sobrinho, e ao lado dos trenzinhos da vida e bolas de futebol, você encontra um chapéu para terremoto!!! Ah...ele vai adorar!! (Será?) Claro, criança tem que se proteger também, eu sei. Mas confesso que fiquei chocado a princípio quando vi aquilo. O chapéu era esse...
Na verdade, as crianças daqui já sabem muito bem o que é aquilo, como usar e quando usar. Muitas delas fazem treinamento na escola e cada uma já tem o seu. Vejam estes niposmurfes intergaláxicos...
Se pensar no momento em que será necessário usar um chapéu como estes, pode dar até calafrio, mas ao ver os tipos de chapéus que se vendem por aqui, o bicho fica até menos medonho do que parece. Há modelos de todo tipo.

convencional

para os meninos...
e para as meninas...
Tem esse que pode ser usado como uma simples almofada para cadeira e, no momento crucial, é só botar na cabeça
Ou este outro modelo para o caso do terremoto acontecer enquanto você estiver dormindo, por exemplo. Basta tirar a capa e o travesseiro se transforma em um chapéu para terremoto!
E que tal este?! Qualquer semelhança com alguma história infantil é mera coincidência.
É isso aí. Este foi mais um capítulo da novela "Terremoto", que aqui no Japão é transmitida 24 horas por dia. Fiquemos então com a palavra em japonês de hoje. Quem quiser comprar um chapéu como estes, basta pedir um 防災頭巾(boosai zukin). Aliás, diga-se de passagem, a Chapeuzinho Vermelho aqui no Japão é 赤頭巾ちゃん (aka zukin chan).
Até a próxima!

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Qual o coletivo de coletiva?

Eu, no Brasil, nunca escutei falar tanto em coletiva de imprensa (記者会見) como escuto aqui no Japão. É artista coreano que chega, é atriz lançando livro de fotos e isso, é aquilo...Vai ter coletiva assim lá, ou melhor, aqui na China! O povo se amarra em coletiva para pedir desculpas também. Vira e mexe tem um banbanban e seus puxa-sacos reunidos numa mesa comprida, cheia de microfones, para pedir desculpas em publico. Podes crer que, ou é fraude ou é negligência. Toda hora tem uma caravana de pecadores se confessando diante das câmeras. "Desculpa tá? Num faça mais isso...".
Tem artista que faz coletiva de imprensa só para informar aos fãs que vai se casar. O assunto fica sendo então como se conheceram, como o parceiro é longe das câmeras, onde e quando foi o primeiro encontro. As matérias em japonês são mais interessantes ainda. Normalmente fala-se um pouco do que houve e comenta-se sobre alguma frase marcante que pode ser “já estamos morando junto, logo não vai mudar muita coisa” ou costumam usar uma frase que para mim é quase um script da novela Sinhá Moça. Eles dizem: “já nos apresentamos aos respectivos pais”!! Que que isso?! Em que século esse pessoal vive?!
O artigo sobre esse tipo de coletiva termina quase sempre da mesma forma, que aliás, sempre achei MJ. Em se tratando de dois atores, por exemplo, registrados em uma agência, no final sempre tem algo do tipo “as agências confirmaram o romance”. Ou ao contrário: “as agências reconhecem que os dois se encontram com certa frequência, mas não confirmam o romance”. É estranho e ao mesmo tempo interessante essa dependência com a agência. Até nos programas de tevê é comum eles dizerem coisas do tipo “‘fulano san’ é da minha agência também”.
Por falar em coletiva, teve uma esta semana que deu no que falar. Bom, não foi exatamente uma coletiva, mas sim o que os japoneses chamam de 初日舞台挨拶 (shonichi butai aisatsu) que é quando os atores do filme sobem ao palco (舞台) no primeiro dia (初日) de exibição da película, para dar os cumprimentos (挨拶) aos expectadores.
Mas a da semana passada foi apimentada! Tudo porque uma das atrizes, a protagonista, diga-se de passagem, entrou e saiu do evento com a famosa "ass face". A japonesa, Erika Sawajiri, uma estrelinha de 21 anos, não se sabe o porquê, ficou de braços cruzados e só deu patada nas perguntas feitas pela apresentadora do evento. Todo mundo notou! Aliás, é no momento “o” assunto comentado. Foi um prato cheio para os programas de fofocas na tevê. Acho que quem não conhecia a Erika, passou a conhecer. A menina está em comerciais de tevê e filmes japoneses. Olha ela na campanha publicitária de uma celular.
Fora as caras e bocas da menina, as respostas e o jeito de ela foram...confesso, o máximo. Tudo bem que a apresentadora não merecia, nem os companheiros que não tiraram o sorriso da cara e pareciam não estar nem aí para ela. Mas ela também parecia não estar nem aí para o evento. Veja só a pinta da mocinha. Nem toquei no assunto modelito, que é para não render outro post...
Quem quiser pode conferir como foi a coletiva.
Só para entenderem o vídeo... na primeira vez que ela abre a boca, ela resume o cumprimento a um mero “Obrigado por vocês terem vindo hoje”e ponto final!!! Depois cada ator falou decentemente e quando a apresentadora perguntou a ela qual a cena do filme que mais a marcou, ela responde com aquela cara de "ue mané cena marcante o que". Ela só disse: “nenhuma” e ponto final!!! A terceira e última fala dela foi quando a apresentadora comentou que a atriz tinha feito uns biscoitos e levou para as gravações. A apresentadora pergunta o que ela sentiu, com que sentimento ela preparou os biscoitos e levou para a galera nas filmagens. A menina dá outra patada: “nada...”. Na coletiva ela estava com essa pinta de mãe da Feiticeira do seriado americano, mas a verdadeira carinha de santinha (do pau oco) é outra.

沢尻エリカ

Mas o showzinho não parou por aí. No final todos os atores principais se reúnem para uma foto e enquanto todos seguram, sorridentes, uma faixa com o nome do filme, lá estava a Erika, emburrada e com os braços cruzados. Não encostou nem a ponta da unha na faixa. Que que isso?! O que aconteceu, ninguém sabe ao certo.
A menina, não sei se se arrependeu ou foi forçada a tal, mas no site oficial da nipochiliquenta havia um pedido de desculpas. Na mensagem, a autora comenta: "Peço desculpas pela minha atitude e pelo profundo inconveniente que causei a todos no dia dos cumprimentos ao público. Eu sou a causa de todo o mal. E devo assumir a responsabilidade por isso."
Erika comenta ainda que o que ela fez só serviu para desapontar os fãs e que, como atriz, como figura pública, como profissional e como pessoa, o que ela fez foi imaturo. Ela tem consciência de que perdeu muito com o que fez, mas diz que aprendeu a lição. Ela termina dizendo que mesmo pedindo desculpas isso não acabará por aí, mas ela fará o possível para reparar o erro. Abaixo, a mensagem na íntegra.
Ficamos então com a palavra de hoje: 不機嫌(fukigen), em português, “mau humor”.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Essa eu pago pra "ler"!

Toda vez que eu vejo algum japonês, tranquilão, na dele, lendo uma revista em uma livraria ou em uma loja de conveniência, eu lembro da época em que eu morava no Brasil e o jornaleiro, nem deixava a gente cogitar a possibilidade de ter a intenção de tocar na revista. Era só o tempo de pegar na revista e abrir a primeira página que lá vinha o tiozinho. Os mais educados perguntavam: “procurando alguma revista?”、com aquele ar de falsidade. Já os mais rabugentos eram também os mais sinceros: “vai levar ou não?” Sei que agora tem no Brasil aquelas livrarias com espaço dedicado à leitura, com poltrona e tudo para os leitores mão-de-vaca. Aqui também tem. Mas o que mais me chama a atenção é a frequência, a tranquilidade e muitas vezes, a cara-de-pau do povo que fica horas lendo revistas ou livros, de pé, nas lojas.
A prática é conhecida em japonês como “tachiyomi” (立ち読み). A primeira parte da palavra, tachi (立ち) vem do verbo “tatsu” (立つ) que significa “ficar de pé, levantar”. A segunda parte, “yomi” (読み), deriva de outro verbo, “yomu” (読む), “ler”. A definição do dicionário é melhor ainda. Veja:
Mas tem uns caras que nem disfarçam. Entram na loja e já vão logo para a parte onde ficam as revistas, escolhem uma e ficam em pé lendo, na maior. Aí vem o segundo e faz o mesmo e se posiciona do lado do primeiro. O terceiro chega e, sem a menor criatividade, pega uma revista e se coloca de pé, bem ao lado do segundo. Vem o quarto, o quinto ... até chegar ao ponto de você, que pretende pagar para levar uma revista, não tem como chegar perto da prateleira para ver as revistas. Fica aquela grande muralha de leitores. Até dá para pedir licença, mas tem uns que parecem estar tão compenetrados na leitura, que se você disser que quer pegar uma revista, é bem capaz de ele te dizer: “Pera! Só esse último parágrafo!”.

O pior é que isso não acontece só em loja de conveniência, não. É livraria grande, livraria pequena, sebo etc. Aliás eu fui uma vez em um sebo e lembro que na parte de mangá – revista em quadrinhos japonesa – tinha uma fila de meninos, um do lado do outro, quase encostados, com um mangá na mão e virados de frente para a prateleira. Eram bem uns 10 garotos enfileirados, calados, quietos, lendo... Era “a” cena! Só não tirei foto porque achei que ia ser difícil convencer meus leitores de que a foto era realmente em um sebo e não em uma biblioteca, como poderia transparecer !!

Mas como diz o provérbio, “Em Roma, como os romanos”, é bem capaz de eu um dia ser pego de pé em uma livraria com uma revista na mão. Não nego que também faço isso as vezes. Adoro passar o olho nos livros, nas revistas... Mas confesso que me sinto mal quando começo a ler o texto. Não sei se é educação minha ou tudo não passa de um trauma de infância. É eu começar a ler o texto que já ouço uma voz dizendo: “vai levar ou não, não, não?!...levar ou não, não, não...”.

Muito bem, a palavra de hoje fica sendo então "livraria". Em japonês claro: 本屋(hon ya). Não confunda com a palavra 図書館(toshokan), que é "biblioteca".

domingo, 23 de setembro de 2007

Em prol dos preguiçosos

A partir do primeiro dia do mês de outubro, o correio do Japão será privatizado. E como toda privatização, há quem espere pela melhoria dos serviços e aquele que não vê com bons olhos nenhuma privatização. Mas mesmo antes de se privatizar, o correio daqui oferece serviços do tipo.. como direi... "Muito Japão"! Além da facilidade de você despachar cartas e encomendas através das lojas de conveniências, descobri o cúmulo da comodidade. O tiozinho do correio veio até a minha casa. Até aí tudo bem. Achei que ele estava entregando alguma encomenda ou carta registrada.
Olha o tiozinho aí na foto!
Mas para o meu deslumbre e surpresa, descobri que ele apenas havia atendido ao chamado da minha esposa para vir buscar a caixa que fizemos para mandar para o Brasil. Repare que ele trouxe até a balança! Na porta mesmo ele pesa. Na porta mesmo a gente paga e pronto! Não precisamos carregar nada até o correio.
Tudo bem que essa mordomia, aqui no Japão é até comum. Há inúmeras companhias particulares que prestam este serviço, chamado em japonês de 集荷(shuuka). Mas o que me chamou mais a atenção foi o correio, ainda um serviço público, fazer este tipo de coisa. Imagine você ligar para o correio do Brasil e pedir para um tiozinho vir na sua casa buscar uma caixa que você quer despachar... (será que já tem este serviço? ou ainda é utopia?)
Ah, detalhe: a ligação para o pedido deste serviço é gratuita. E, pasmem, o serviço, também!! Bem, fiquemos então com a palavra de hoje, "correio". Em japonês, 郵便局 (yuubinkyoku).