sábado, 16 de fevereiro de 2008

Em caso de emergência, não se apavore e, ignore os ideogramas!

Hoje fui a uma estação de metrô que eu nunca tinha ido. Na plataforma, vi esse interfone para chamar o funcionário do metrô em caso de emergência. Achei o design bem moderninho, mas o que mais me chamou a atenção foi justamente o texto escrito nele. Em cima, estava escrito 駅係員よびだしインターホン (eki kakari in yobidashi intaahon), ou seja, "interfone para chamar o funcionário". Mas ainda não é disso que eu estou falando.

Na parte superior do interfone o texto é mais ou menos assim: Em caso de emergência ou tenha visto algo suspeito, aperte o botão do interfone e fale com o funcionário do metrô.

Mas ainda não é isso. O mais interessante é que na parte inferior, o texto está assim...

きんきゅうにごようのかたまたはふしんなものをみつけたときは、よびだしボタンをおしてえきかかりいんとインターホンで おはなしください。

Ou seja: "Em caso de emergência ou tenha visto algo suspeito, aperte o botão do interfone e fale com o funcionário do metrô". Isso mesmo!! O conteúdo dos dois textos é exatamente igual! Mas por que eles escreveriam o mesmo texto duas vezes, uma em cima e outra embaixo?? Sim, os textos são exatamente iguais, exceto por um detalhe: na parte mais baixa, não foi usado nenhum ideograma!! Isso mesmo! O texto é o mesmo mas escrito de duas maneiras diferentes! Não posso afirmar categoricamente, mas tudo indica que o texto debaixo tenha sido feito especialmente para as crianças. (Embora, acredito que, eventualmente, alguns estrangeiros também façam uso). Além de estar numa altura em que as crianças podem ler facilmente, foram usados no texto dois dos três alfabetos usados na língua japonesa, os mais fáceis e os que os minijaspions aprendem primeiro na escola. Alguns ideogramas são mais difíceis para elas e, por isso, só na parte mais alta eles foram usados! Muito Japão! Gostei muito. OK. Ficamos então com a palavra em japonês de hoje. Vou escrevê-la em todos os alfabetos e por último com letras romanas para dar uma idéia do que é escrever a mesma coisa em maneiras diferentes.

Ah, sim! O significado é "emergência". Até a próxima!

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Jogar no lixo? O que é isso?

Hoje fomos almoçar em 10 pessoas. Maioria de brasileiros. Tudo por conta de uma colega, também brasileira, que saiu da empresa e resolveu aparecer por lá para nos visitar. Foi muito divertido. Foi lá que discutimos um assunto Muito Japão: dificuldade em jogar o lixo fora. Explico. Dois colegas relataram, cada um, sua experiência no interior de uma loja, quando eles tentaram pedir ao lojista que jogasse fora o lixo que eles estavam na mão naquele momento.
Primeiro, uma colega contou que ficou horas na fila e, já estava um certo tempo no balcão da loja para preencher papéis, formulários e tal quando, gentilmente, pediu à mocinha da loja que jogasse o papel que ela estava na mão na lixeira que estava bem atrás da lojista. Não adiantou nada a gentileza. A mocinha simpática que só, primeiro fez uma cara de ..., sabe né? Era como se a colega tivesse perguntado: "Posso ficar nua e sair correndo pela loja gritando que odeio o Imperador?" A mulher não entendeu a pergunta ou achou aquilo a coisa mais anormal do mundo. Como ela, que nunca havia sido solicitada para aquela ação faria aquilo de repente? E sem perguntar ao chefe?! E agora? Como agir diante de uma situação tão esdrúxula como esta, de jogar fora um papel no lixo??
Uma outra colega, que estava com a gente no almoço, matou a charada. A mulher fez aquela cara de (você já sabe), porque no treinamento daquela função, não havia sido comentado nada sobre jogar fora lixo alheio. Provavelmente, não havia no manual de condutas o quesito "O que fazer em caso de uma cliente loira sem ascendência japonesa, acompanhada do marido, igualmente estrangeiro, que esteja comprando uma filmadora Sharp modelo XY5678KG90PS, pedir para jogar fora um pacote de biscoito recheado, sabor baunilha com pedaços de chocolate, custando em média ¥130?"
Outro colega, que ouviu a história disse que a primeira colega teve mais sorte, porque a simpática mocinha fez caras e bocas, mas pelo menos, no final das contas, jogou fora o tal lixo. Mas ele não teve a mesma sorte. Ao pedir para jogar fora um papelzinho, a lojista se recusou em esticar o braço para jogar fora o papel na lixeira que estava do lado dela, atrás do balcão. Coitada. Eu tenho pena. Essa também não deve ter interpretado bem a pergunta. Talvez, quando ele mostrou o papel e apontou para a lixeira, ela pensou que ele estava perguntando se seria possível ele pixar todas as paredes da loja e depois pedir a ela que usasse aquele papelzinho para limpar tudo e depois jogasse na lata do lixo que estava perto dela. Só pode!
Eu fico com a hipótese do manual incompleto e do treinamento mal feito que não incluiu uma situção tão atípica como essa de se jogar fora no lixo um papel. Para entender melhor essa relação, cultura milenar com situações inesperadas, sugiro ler o post publicado em julho de 2007. Basta clicar aqui. Ficamos então com a palavra de hoje: 'ごみ箱 (gomibako) ou mesmo 屑入れ (kuzuire) . Em português, a tão comentada, "lata de lixo".

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Aprenda a sambar...lendo!

Está nas livrarias! Um livro para ensinar a sambar!! Isso mesmo! Livro. Nada de academia. Nada de espelho na parede. Nada de professora gostosa. Nada de conhecer gente nova. Nada de fazer novos amigos. Nada de música alta. Nada de feeling. Nada de diversão. Nada de bate-papo com colegas. Nada. Nada disso.
É comprar o livro, ler a explicação de cada passo. Decorar. Assistir ao DVD e imitar. Pronto. Acabou. Depois é só esperar o desfile de carnaval... que aqui no Japão é em agosto.
Bom, depois que eu recebi por email a revisão de uma aula de samba que eu fiz por um mês aqui no Japão, não me assusto ao ver livro com passo a passo para aprender a dançar!! O livro tem informações interessantes como, nome de instrumentos, lista de lugares para se sambar no Japão etc. Mas eu queria mesmo era ver alguém "fazendo essa aula"... em casa, sozinha, lendo e fazendo a pose de frente pra tevê e o melhor, com música baixa, porque aqui no Japão só na boate e no karaokê que se pode ouvir música alta. Não é divertido!? Ah!! E quem terminar de ler tudo pode aprender outros ritmos também...mas sempre...lendo!! A coleção traz livros de ...
...salsa...
... ula-ula...
...e até dança do ventre!!!
Fala sério!! Mas... cada um com seu cada um, não é mesmo?! É melhor ficarmos logo com a palavra em japonês de hoje: 踊る (odoru) , verbo "dançar", que também pode ser ダンスする (dansu suru).

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

É trem do Japão, não da Central!

Hoje, na volta do trabalho, lá por volta das 22h30, entrei no trem louco para encontrar em assento vago. Para minha sorte avistei um espaço para duas pessoas. Eu e um niponerd sentamos praticamente sincronizados (cada qual em um assento). Já relaxado e satisfeito, pensei em ler algo, mas me desanimei. Apesar do assento estar vago, fiquei meio prensado entre o niponerd e um nipotiozão. Perdi a vontade de ler. Se for pra segurar a revista que nem um Horácio, prefiro não ler, pensei. O niponerd do meu lado esquerdo não estava nem aí. Assim que ele sentou, foi logo tirando da bolsa um estojo preto todo rodeado com zíper. Já vi tudo! É um DS.
Não deu outra! Depois do celular, acho que o DS é o maior passatempo dentro dos trens. Já vi menino, menina, homem barbado de terno e gravata - diga-de de passagem o dele era um DS ROSA! - fora uma executiva e uma senhora na casa dos seus 60! Mas voltando ao vizinho niponerd, o cara estava mais relaxado do que eu pensava. Eu crente que ele ia fazer como os outros e se divertir com a canetinha na touchscreen... me enganei! De repente, o cara me tira da bolsa uma peçinha branca que eu nunca tinha visto. Pensei até que era um carregador portátil quando vi que ele plugou no DS. Do nada, aquela ínfima peçinha se esticou, cresceu, abriu e se transformou em uma autêntica antena!!!! Igualzinho às de tevê!...só faltava mesmo o Bombril!!

O que que esse MacGyver de Akihabara vai fazer com essa antena acoplada ao DS?! Bom, para minha desinformação total, ele estava usando um produto que começou a ser vendido no Japão em novembro do ano passado! Era um DSテレビ (DS terebi) , ou seja, um DS que também é televisão!!! Isso mesmo. A cena mais "Muito Japão" de hoje foi o trem lotado, às 10h30 da noite, em plena segunda-feira, e o carinha do meu lado tranquilex, assistindo à tevê, com o aparelhinho no colo e com as anteninhas bem abertas, bem abertas... A palavra em japonês de hoje é アンテナ(antena), em português... an-te-na (mesmo!). PS.: 任天堂, que aparece na primeira foto, é a forma de escrever "Nintendo" em ideogramas.