quinta-feira, 19 de junho de 2008

Aumento de preço Muito Japão

Achei uma característica Muito Japão na matéria que eu li hoje no jornal japonês Yomiuri sobre o aumento do preço do famoso biscoito Shiroi Koibito.
白い恋人:17%値上げ…原料など高騰で 76年以来初 - チョコレート菓子「白い恋人」を製造・販売する石屋製菓(札幌市西区)は7月1日、希望小売価格を約17%値上げする。原材料や包装資材の価格高騰が理由。北海道を代表する土産物とあって、他のメーカーへの波及も懸念される。「白い恋人」の値上げは76年の発売開始以来、初めて。同社によると、原料の全脂粉乳やココアバターなどの原料価格が約20%上昇したことが響いたという。新価格は▽12枚入りが110円増の740円▽18枚入りが165円増の1110円▽24枚入りが220円増の1480円。また、チョコレート菓子「美冬(みふゆ)」も6個入りが110円、12個入りが220円それぞれ値上げされる。「白い恋人」「美冬」は昨年8月、賞味期限改ざんが発覚し、一時販売を停止。しかし、同11月の製造・販売再開後は品薄状態が続くなど、根強い人気を集めている。同社広報室は「夏の観光シーズンを控え、売り上げへの影響が心配。しかし、メーカー側だけでコスト上昇分を吸収するのは難しく、やむを得ず値上げすることにした」と話している。【仲田力行】
Segundo a reportagem, o aumento de preço dos ingredientes – como a manteiga de cacau que aumentou 20% - e do material usado na fabricação das embalagens foram os grandes responsáveis pelo encarecimento do biscoito. O aumento entrará em vigor a partir do dia 1 de julho, e é aí que entra o ponto mais Muito Japão da história com esta frase...
「白い恋人」の値上げは76年の発売開始以来、初めて。
...ou seja, "É a primeira vez que o Shiroi Koibito fica mais caro, desde quando foi lançado no mercado, em 1976". Fala sério!! Você já imaginou ler isso em português em algum jornal brasileiro? "É a primeira vez que o biscoito goiabinha fica mais caro desde 19 e sei lá quanto...". Eu não me lembro de ter lido algo semelhante no Brasil. Mas não se espante com o produto que está debutando no aumento de preço! Essa não é a primeira vez que esse fenômeno acontece. A onda de aumento dos preços dos alimentos tem atingido o Japão também e ultimamente, sempre tem notícia de aumento de alguma coisa. O texto quase não muda. Só alteram o nome do produto e a porcentagem do aumento. Mas toda vez que tem uma notícia desse tipo aqui no Japão, sempre tem algo do tipo "é a primeira vez em não sei quantos anos que tal produto sofre reajuste de preço". Pode reparar! Para uma pessoa como eu, que veio de um país onde aumento de preço era de praxe, ler uma coisa dessas, é para ficar mesmo espantado.
A matéria cita também o escândalo que o fabricante se envolveu ao serem descobertas as adulterações que eram feitas nas datas de prazo de validade dos biscoitos. Isso foi em agosto do ano passado. As vendas foram suspensas temporariamente e, em novembro, a Ishiya já estava colocando seus biscoitos no mercado novamente. Nem assim o biscoito perdeu a popularidade e continua vendendo bem. O biscoito é uma delícia e é muito conhecido aqui no Japão. Para quem nunca comeu, é como um "casadinho" feito com biscoito mentirinha e recheado com chocolate branco. Vale a pena experimentar!

A palavra em japonês de hoje está na matéria retirada do site do jornal Yomiuri: 賞味期限改竄 (shoomi kigen kaizan) ou "adulteração do prazo de validade".

PEPSI sabor detergente ?!

Pois é. São tantos os produtos lançados por tempo limitado aqui no Japão, que eu resolvi criar uma seção especial para apresentar algum produto maneiro do mercado japonês! Para hoje, resolvi escrever sobre o novo sabor da Pepsi. Na onda do 期間限定, a fabricante lançou este mês a PEPSI BLUE HAWAII.
Perfeitamente aceitável para um empresa que já chegou a criar um refrigerante de pepino: a PEPSI ICE CUCUMBER. Tudo bem que a primeira impressão que dá é que a PEPSI está ingressando no mercado de produtos de limpeza. A cor é "azul-azul", mas o sabor do refri, segundo o rótulo, é de "pineapple & lemon"!! Isso mesmo: abacaxi com limão !! Por que azul? Sinceramente, não encontrei uma razão, digamos, plausível para a coloração que inspira ingredientes naturais (?). A única explicação que eu encontrei no site é que o azul foi inspirado na cor do mar. É, também não me convenceu muito, mas, vou confessar, eu experimentei ontem e achei bem gostoso. Um colega meu disse que eu mais parecia um suicida tentando se matar tomando detergente. Mas sem olhar a cor do líquido, a PEPSI Blue Hawaii é praticamente uma FANTA de abacaxi - sem limão. Gostoso sim...

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Abraço

解放の中村さん、テヘランで喜びの会見- 去年10月にイラン南東部で誘拐され、4日に解放された大学生の中村聡志さんが解放後初めて記者会見し、8か月に及んだ拘束生活などについて心境を語りました。「家族のことを考えることで、自分を保てていたというのが事実です」 「起こしてしまったという、自分に対する反省といったものを、深く感じています」(解放された中村聡志さん 23)14日に解放された中村聡志さんはイラン外務省で記者会見し、このように拘束当時の状況や今の心境を語りました。武装勢力に手荒な真似をされたことはなかったということですが、事件の細かい内容については言及しませんでした。また、会見に同席した父親の淳貴さんは、息子に再会した喜びをあらわにしました。「やっと捕まえたという感じでほっとした」Q.抱き合ったりしたか?「はい、しました」(中村聡志さんの父 淳貴さん)中村さんはこのあとイランをたち、日本時間の17日、日本に帰国する予定です。(16日20:45)
Essa foi a matéria publicada anteontem no site da TBS e que mostra a coletiva de imprensa de Satoshi Nakamura, um jovem japonês que foi sequestrado no Iran e essa semana foi libertado, depois de oito meses. A matéria poderia passar despercebida se não fosse por um detalhe Muito Japão. Mas antes me responda uma coisa. Seu filho, sua mãe, seu pai que seja, fica desaparecido durante meses. Você descobre que ele (a) foi sequestrado(a) por um grupo de criminosos iraquianos e corre sério risco de vida. Isso dura 8 meses sem você saber se ele(a) foi executado (a) ou não. De repente, você tem a oportunidade de vê-lo (a) vivo(a) na sua frente, em carne e osso!!! Qual seria sua reação?
1) Abraçaria
2) Abraçaria e beijaria
3) Abraçaria e beijaria muito
4) Abraçaria bem forte durante longos minutos
5) Todas as respostas acima
6) Não abraçaria
Para quem escolheu a resposta número 5, mais do que normal, eu diria que você é tão brasileiro(a) quanto eu e, como tal, age e pensa de certa forma como eu. Mas se sua opção foi a número 6, mais do que "você tem problemas", eu diria que você já mostra traços de assimilação da cultura local. Calma. Não quero dizer com isso que os japoneses não sabem abraçar. Eles sabem. Mas é diferente.
Voltando a vaca fria, eu estava lendo a matéria sobre a libertação do rapaz e, mais do que o conteúdo em si, a pergunta de um repórter japonês me chamou mais a atenção. Ele se dirigiu ao pai do rapaz, que também estava na coletiva, e fez a seguinte pergunta:
抱き合ったりしたか?
"Vocês se abraçaram?"
O que você achou dessa pergunta? Talvez perguntar isso a um pai brasileiro cuja filha tivesse sido sequestrada e ficado 8 meses desaparecida correndo risco de vida pudesse parecer uma pergunta mais do que "nonsense". Mas, em se tratando de Japão, acho que passa, hein. Mas não deixa de ser interessante.
Eu mesmo já ouvi com meus próprios ouvidos, um japonês me dizer que ele ficou 1 ano no Brasil e disse que ao voltar para casa - detalhe: sozinho, do aeroporto até a casa dele - quando encontrou os pais, ele só disse: "opa! voltei...". Abraço não rolou. Frio o rapaz? Pode ser. Todo japonês é assim? Bom, isso já não posso afirmar. O que eu posso afirmar é que o meu choque com essa história foi tanto, que outro dia eu perguntei para outro japonês, que também passou 1 ano no Brasil, se ele tinha abraçado os pais quando os reencontrou. Parecia que eu tinha perguntado a ele o que tinha comido na primeira papinha da vida dele. O cara parou. Olhou para baixo, franziu a testa e ficou murmurando: "Eu abracei será?". Ele olhou para mim e perguntou: "Se eu abracei meus pais né, que você quer saber né?" ... e, finalmente, respondeu: "Sabe que eu não lembro. Acho que não".
Para ser sincero, não sei se fiquei abismado com a pergunta do repórter ou da cultura japonesa permitir que ele pudesse fazer uma pergunta dessa natureza, sem se passar por ridículo, entende? No fundo achei isso interessante, diferente, enfim, Muito Japão. Quem quiser pode ver o vídeo da entrevista coletiva. Clique aqui. Vale ver também a reação do pai com a pergunta e a forma com que ele responde sem se quer olhar para o filho. Curto e grosso. "Abracei.", disse ele ao responder a segunda pergunta feita a ele. Mas deixa pra lá. Vou acabar me passando por cricri...
A palavra de hoje é muito clara no dia-a-dia da gente que vive no Japão e pode ser a resposta para situações como essas que tratam de abraço, toque, sentimento e beijo. Anote aí: 異文化 (ibunka). Em bom português, "diferença cultural".

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Myojo em homenagem ao centenário da imigração (!?)

Que este ano é o ano do centenário da imigração japonesa no Brasil, acho que não falta mais ninguém ficar sabendo disso. Até quem nem sabia que o Japão era uma ilha e que ele ficava na Ásia também já está sabendo do centenário!! Bom, pelo menos para isso foi bom... Mas cá entre nós, já faz uns três anos que esse centenário está na berlinda! Eu mesmo, todo dia, comemoro a centésima... vez que vejo algo a respeito do centenário. Tudo é centenário!! Engraçados são os eventos que têm alguma relação com o Brasil e com o Japão. A maioria já é realizado todos os anos, mas, este ano, cada organizador jura de pés juntos que o evento dele é “em comemoração ao centenário”. A mídia assina em baixo e trata de enfiar em qualquer lugar no texto a frase-padrão “em comemoração ao centenário da imigração japonesa no Brasil”. Acho que já deve estar até no “copy& paste” de tanto que eles usam. Agora imaginem vocês que até o myojo entrou na onda do centenário!!
“Em comemoração ao centenário da imigração japonesa ao Brasil” - para não perder o costume - foi lançado na semana passada o myojo instantâneo com novo sabor: "Brazilian Chicken" (Frango Brasileiro). Não me pergunte se é gostoso, porque eu ainda não experimentei (e não pretendo fazê-lo tão cedo). Mas achei que meus conterrâneos iriam achar interessante (?) a homenagem... em forma de myojo!!
Por falar em myojo, a Nissin está fazendo "recall" do seu myojo com prazo de validade de 10 anos!! Isso mesmo que você leu. Myojão em copo - mais conhecido como cup noodles - válido por dez longos anos!!
Para que 10 anos?! Bom, em se tratando de Japão, um produto desses tem lugar garantido no kit terremoto - um kit que vira e mexe fazem campanha para a gente montar, para o caso de um grande terremoto. Além de documentos, lanterna e etc, o kit deve ter mantimentos. E é aí que o "Time Can 2000 - 2010" entra em ação! Mas, para outros mais otimistas, a lata pode entrar em uma cápsula do tempo, junto com fotos e outros objetos pessoais! Para isso, tem na lata um espaço para escrever uma mensagem especial e que será lida 10 anos depois!!
Falando assim até parece algo futurístico. Mas estamos falando de algo que vai acontecer em 2 anos!! O produto em si não é novo. Foi lançado em 2000. Mas a aparência estilo "back-to-the-future" de nada adiantou. Segundo informações do site oficial da empresa Nissin, o "Time Can", apresentou um problema na tampa da lata, o que pode comprometer a qualidade do produto. O "recall" está sendo feito desde março de 2004 e quem tiver o produto em casa, ainda pode devolver - é o que diz a mensagem da foto, retirada do site da empresa.

A palavra de hoje está na mensagem acima: 缶(can) ou "lata".