quinta-feira, 7 de junho de 2007

Estacionamento (de bicicleta)

Bicicleta aqui no Japão não é só coisa para criança ou para quem quer se exercitar. Aliás é possível ver desde homem de terno e gravata até mulher de saia e meia-calça montados numa bicicleta, na maior. Durante um tempo fiquei sem, mas sempre que tinha que caminhar da estação até a minha casa, me batia uma inveja de quem passava por mim pedalando. Até que um dia me deu na telha e ao sair para comprar um pão, no caminho, acabei comprando uma bike.
Estacionar a bicicleta é outra novela. Tem lugar que pode parar e tem lugar que não pode, correndo até risco de ter a bicicleta rebocada por fiscais. Mas há estacionamento para bicicletas e é justamente o estacionamento que eu uso todos os dias que me inspirou a escrever este post de hoje.
Muito Japão! Só digo isso. O sistema é o seguinte: você chega com a sua bicicleta, sobe uma rampa que leva até o estacionamento. Lá há mais de 200 vagas. Em cada vaga há um dispositivo onde você, ao empurrar a bicicleta até a extremidade, automaticamente, uma tranca prende a roda da frente. Uma vez presa, não adianta puxar para trás que a bicicleta não vai sair.
“Primeiro mundo”, pensei. Para liberar a bike, basta ver o número da vaga, digitar na máquina o mesmo número e depositar o valor referente ao número de horas que a bicicleta ficou lá. Não é caro nem barato, mas ao menos a bicicleta não fica em lugar ilegal e não corre o risco de ser levada. “Nossa primeiro mundo”, eu sempre pensava até que… um diabinho chegou no meu ouvido e disse: “quem te falou que a bicicleta está segura?” Eu achava que tinha a resposta na ponta da língua: “ué? A bicicleta fica em um estacionamento fechado, eu tranco ela com o dispositivo, têm guardinhas olhando e tudo … e não é seguro?” Mas o diabinho insistiu:
- Quantas vagas você disse que tinha? - Umas 200 , sei lá. - Muito bem. E quantos guardinhas? - Uns 2 ou 3. - Muito bem. Para entrar no estacionamento paga? - Não. - Tem que se identificar? Falar com um dos guardinhas? - Não. - Como era mesmo que você disse que tinha que fazer para liberar a bike? - Digitar o número da vaga e pagar o preço correspondente. - Tem que digitar algum código que só você saiba? -Não. - Tem que por o dedo para leitura de impressão digital? - Não. Aí o diabinho arrematou: - E quem te garante que depois que você deixa a bike lá, não vem nenhum espertinho, e dentre as 200 bikes, ele não escolhe a sua, vê o número da vaga, deposita o dinheiro e não vai embora?? Isto é, se não passou mais de 6 horas, porque até 6 horas, o estacionamento é gratuito e se ele chegou 5 horas depois que você deu esse mole, a bicicleta sairá de graça para ele.
Fiquei estupefato. Foi aí que lembrei que moro nesse país com uma densidade demográfica de muitos habitantes honestos por quilômetro quadrado. Apesar de ser fácil fácil levar uma bicicleta, no final do dia, quando volto do trabalho, apesar de ter um guarda (há dias que não vejo nenhum), minha bike está sempre lá, junto com outras 20, 30…intactas.

10 comentários:

Raquel disse...

Puxa, eu também deixava a minha bike no estacionamento e nem tinha esse negócio de prender ou digitar o número da vaga. Ela ficava lá só com a tranca do próprio cadeado. Nunca passou pela minha cabeça que ela ia sumir. E tem aqueles estacionamentos (legais) de rua, né? Esse seu diabinho aí é fogo!

Anônimo disse...

Nao eh honestidade, mas respeito ao q eh dos outros. Isso SIM acho MUITO Nihon!!!
:D
Adorei como sempre!

Luiz Guilherme disse...

rs. eu já pensei logo: solta a roda! huahuahuahuahuahuahu.

Kazu disse...

Fala Julio!!! Muito legal o blog!!! Gostei muito do tema!

Esses dias me lembrei de voce, ao ler o blog "Panorama Nihon" que fica no site do O Globo... Eh de uma jornalista brasileira que trabalha no International Press!

Abracao e continue escrevendo!

Lis Fam disse...

querido amigo...saudade.Adorei templates. Duas lindas paisagens.Rio de Janeiro, minha escolha para morar (he,he,he) a cidade maravilhosa e em contrapartida este espetáculo de castelo que me traz belas recordações. É inegável, o que os olhos vêem, fica registrado na retina por toda a vida.Beijos carinhosos.Lis

Karina Almeida disse...

MUITA HONESTIDADE!

eu adooooro essa honestidade dos japoneses!

e adorei esse diabinho. MUITO CARUSO! hihihihi...

Gisele Scantlebury disse...

Já pensei nisso várias vezes também.. só um detalhe: aqui as bicicletas têm número de registro (um adesivo colado nelas). Então, se alguém levar, é fácil de pegar.. Aqui perto de casa mesmo, os policiais estão sempre checando. Outra coisa muito Japão também, blitz de bicicleta! =)
Adorei o post. Você tá cada dia melhor. Beijos e até amanhã. :(

Karuzo disse...

RAQUEL,
Valeu pela visita. Eu tbm nunca penso que irão levar minha bicicleta. Um dia deixei até minha jaqueta jeans e qdo voltei, estava lá. Valeu. Volte sempre.

Karuzo disse...

ANÔNIMO,
Obrigado pelo comentário. Concordo com vc. Aqui no Japão tem muito disso ainda, né?! Valeu. Volte sempre.

Hajime disse...

O que eu acho engraçado é a maneira como os japoneses pedalam a bicicleta. Os homens pedalam com as pernas abertas (joelhos voltadas para fora) e as mulheres pedalam com as pernas fechadas (joelhos para dentro), não sei como elas conseguem pedalar dessa maneira. Nós, os estrangeiros, tanto homens e mulheres, pedalamos normalmente, com as pernas retas (joelhos para frente).Só de olhar, já sabemos se são japoneses ou não.
Seu blog é dez.
Abraços.